sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Os “Ervateiros do raído”

“Caraí-ervateiro”
Homens rudes, mas forte em sua lida com a erva mate, “Os Ervateiros”...
Lutar pra sobreviver, uma sobrevivência de suor, sangue e lágrimas... Lágrimas que não querem cair, pois o que resta para a sua vida?...
É continuar mais um dia para quando chegar à noite poder descansar.
E nela se recuperar para um novo dia... Assim vai “Caraí-ervateiro”, audaz e forte, carregando seu “raído” (Expécie de fardo de erva mate pesando cerca de 250 kg) esperando seu dia chegar. Para descansar dessa vida que foi só sofrimento sem ao menos lhe dar, a chance de se alegrar... (Joel Vieira)
Mas de onde vinham esses homens que formavam a massa  de trabalhadores miseravelmente explorada nos ervais desta imensa região?


                   Segundo Hélio Serejo:
  “foram com nativos errantes e paraguaios osos, por serem mais “agüentadores” da árdua lida nos ervais que formavam a frente de trabalho nessa tarefa de carregar o Raído”.
 Em jornadas das mais peripciosas”, velhos, moços e crianças, se embrenhavam na selva bruta enfrentando, o ambiente hostil.

E as ranchadas ervateiras, “o rancho ervateiro era a unidade básica da estrutura operacional, sendo estrategicamente localizado à margem de um rio para facilitar o escoamento da erva extraída”. “Dentro do rancho funcionavam os barbaquás, cancheados, almoxarifados, depósitos e demais unidades que compunham o sistema de elaboração da erva-mate”. Nele, ficavam também as habitações rudimentares que abrigavam os “peões dos ervais”.
 O ervateiro com sua foice ou facão cortava os galhos e ramos com bastante folhas.”.
“Do rancho ervateiro partiam os “minêros” (cortadores de erva; o ervateiro) para os ervais próximos, de onde retornavam com o raído (fardo de folhas que o ervateiro traz às costas), que seria pesado e anotado em caderneta”.
Ervateiro é o nome dado ao “Peão do erval” que trabalhava nas lavouras de erva-mate desta região. Já o nome “Raído” é dado ao feixe de erva-mate com cerca de 250 quilogramas que carregavam os “Peões do erval”.







Depois do corte era feito o “sapeco”, nome da ao processo de sapecar ou secagem dos galhos da erva-mate em fogo forte para evitar que as folhas ficassem enegrecidas e deteriorassem em contato com o ar após o corte. Depois dessa secagem preliminar, os galhos eram quebrados juntamente com as folhas. Então era feito a amarração dos vários tipos de ramos, (espécie de pré-secagem com fogo) formando um feixe e enrolado com uma lona e bem amarrado. Esse enorme fardo com cerca de 250 quilogramas era então levado ao “carijo” ou “barbaquá”.

O “carijo” ou “barbaquá” era uma grande armação de madeira roliças em formato de uma choupana onde se colocava a erva-mate no teto e fogo em outra extremidade para secar a uma temperatura de cerca de 100ºc, aí as folhas perdem totalmente a umidade, ficando bastante quebradiças e fácil de triturar.


Após esta fase a erva-mate era “cancheada” (triturada). A Cancha era uma espécie de moinho circular tocado a cavalo.



Neste processo de criação, preparação e montagem do “Raído”, a erva-mate, se caracterizou como nossa formação regional e cultural.




História viva conta que:
"Quando um Ervateiro se machucava, um ferimento grave que quebrava a coluna, era feito um sorteio entre os amigos para ver quem iria sacrificar o morimbundo", essa história eu ouví contar...
Por: Joel Vieira

As fotos em preto e branco foram extraídas do orkut "Tunel do Tempo".
Fonte de pesquísa do texto: Google

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